domingo, 30 de octubre de 2011

Distâncias

Diante do papel, pensava em tudo o que tinha para lhe dizer. Por onde começar, não sabia. Como dizer o indizível? O sentir era tanto que não cabia em palavras. Mas, eram as palavras que os ligavam, elas eram o único contato que tinham, sem elas, eles não existiam. E ela sabia no mais profundo de sua alma, que ali residia o abismo, a distância entre eles. Para Ser com o outro é preciso olhares, é preciso toques, é preciso abraços, é preciso encontros... E exatamente por saber, que as palavras silenciaram nela, sua alma não podia mais se dizer somente em palavras, precisava do olhar do outro sobre si, precisava sentir através desse olhar, que ela lhe tocara a alma. Não podia mais, o que antes lhe era leve, agora pesava em sua alma. Levantou-se então, deixando o papel em branco, sabendo em seu coração que estava se despedindo...

viernes, 21 de octubre de 2011

Delírios

Sim, estás aqui. Fecho os olhos e te vejo. Te sinto. Te pressinto. Tuas mãos,  deslizando sobre a minha pele, percorrendo os meus caminhos teus caminhos. Tua língua a sentir-me o gosto, a percorrer meus lábios, meus seios, minhas coxas, meu sexo úmido, a sugar minhas águas, meu gozo. Teu sexo a fazer-me tua, tão somente tua, entre gemidos e delírios. Sim, estás aqui. Eu sinto.

jueves, 13 de octubre de 2011

A espera

Já o esperava a muito tempo, mas qual foi a sua emoção ao ouvir tocar a campainha. Era Ele. Sim, Ele chegara. Sabia que ao abrir a porta, estaria abrindo caminhos, sua vida não seria mais a mesma.  Trêmula, dirigiu-se a porta, dirigiu-se a Ele. O abraçou por um longo tempo e sem dizer uma só palavra o levou até seu quarto, deitou-o em sua cama e o tocou quase com medo... Medo desse contato, medo do que  poderia ser da sua vida depois de Tê-lo. Com as mãos ainda trêmulas o acariciou ternamente, o fitou eternamente e sem mais conter-se, abriu a primeira página e o devorou ali, naquela mesma noite...

domingo, 9 de octubre de 2011

Sonhos




Quando crianças gostavam de brincar de bolinhas de sabão. Ela adorava inventar nomes para cada bolinha antes de soprá-la e vê-la voando pelo céu. Ele gostava mesmo era de correr atrás das bolinhas, acreditava que poderia segurá-las nas mãos em concha e levá-las de volta. Desde cedo, ele, sonhava em capturar o impossível.
Sonhava ela, que cada bolinha que voava pelo céu ia ao encontro de outra criança que em algum lugar estaria a esperar por ela para brincar. Imaginava um menino correndo atrás das bolinhas tentando pegá-las. Assim, sempre que soprava uma bolinha, fechava seus olhos e a inundava com o seu mais sincero amor.
Sonhava ele, que um dia ainda iria encontrar a criança dona das bolinhas e devolvê-las todas. Sempre que pegava uma bolinha imaginava que quem a tinha soltado era uma menina, que com os olhos fechados soprava e as deixava ir. Sem a conhecer e sem sabê-la a amava em cada uma das bolinhas que segurava.
O tempo passou, eles cresceram, outros sonhos foram sonhados, mas os sonhos de criança que de alguma maneira os uniam, não fôra esquecido. Sempre que podiam iam ao parque da cidade brincar de bolinhas de sabão.
Um dia, estava ele, tentando como sempre segurar o impossível, quando sem nenhuma explicação, conseguiu segurar em suas mãos uma bolinha, buscou com o olhar quem as estava soltando e de longe avistou uma moça com os olhos fechados, exatamente igual a menina que sonhara toda uma vida, numa imensa alegria correu até ela e muito suavemente colocou a bolinha em sua mão. Ela, surpresa, abriu os olhos e deixou cair uma lágrima de felicidade...


PS: Esse texto foi escrito a partir da poesia "No tempo da delicadeza" do escritor Carlos Eduardo Leal, segue o link de seu blog para quem quiser conferir http://veredaspulsionais.blogspot.com/